De Luís André Gasperino
Não havia reparado como é lindo o amanhecer da janela do meu quarto. Por muito tempo, questionei a beleza do tagarelar dos pássaros, que tripudiavam de meu sono, com a luzes do grande astro luminoso à irradiar.
Está tudo do jeitinho que eu sempre deixei. A roupa desarrumada, a cama desfeita, o computador ligado, as luzes sempre acesas.
“Filho, vai arrumar seu quarto(...) Não deixa a janela aberta (...) Apaga a luz quando sair (...) Leva a blusa, porquê vai esfriar”.Nunca pensei que fosse gostar tanto de ouvir essas expressões, infindáveis vezes repetidas.
Tudo tem um brilho caloroso, e as horas parecem andar rastejando, cansadas, tão fracas quanto meus punhos.
A sensação é de um ser misteriosamente magnânimo nascendo em cada nova oração. Estou mais leve, mais astuto, menos criterioso. E a carapuça de mal vai se desprendendo, lenta e amargurada, de minha feição.
A angústia avassaladora da dúvida, apesar de tudo, é tão consolável quanto a ingratidão da certeza.
“Quando tudo está perdido, sempre existe um caminho. Quando está perdido sempre existe uma luz. Quando tudo está perdido eu me sinto tão sozinho. Quando tudo está perdido, não quero mais ser quem eu sou... Hoje a tristeza não é passageira, hoje fiquei com febre a tarde inteira. E, quando chegar a noite, cada estrela parecerá uma lágrima. Queria ser como os outros e rir das desgraças da vida ou fingir estar sempre bem, ver a leveza das coisas com humor. Mas, não me diga isso, é só hoje, e isso passa, só me deixe aqui quieto, isso basta. Amanhã é um outro dia....Eu nem sei por quê me sinto assim, vem de repente um anjo triste perto de mim. E essa febre que não passa e o meu sorriso sem graça. Não me dê atenção, mas obrigado por pensar em mim...”
quarta-feira, 31 de março de 2010
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Parabens pelo texto irmão muito bonito.
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