segunda-feira, 12 de abril de 2010

Aos quase vinte e dois...

De Luís André Gasperino

Há quem diga que a vida começa aos cinquenta, outros acreditam que isso aconteça aos quarenta, descordo reticentemente de ambos. Pois, a minha vida começa aos quase vinte e dois. Quando descobri que o verde ostenta vida, que o azul é infinito e que a alma floresce mesmo nos lugares mais sombrios e inóspitos.

O mais belo de toda criação divina não é possível ao toque, muito menos podemos enxergá-lo. É puro e transparente, é invisível. Mas existe, e nos dá asas enormes, para que possamos atingir os vôos mais altos dentro de nossa imensidão de planos, metas, desejos e vontades. O Amor.

Ai de quem ousar questioná-lo, pois o defenderei com unhas e dentes, com todas as minhas forças. Que seja ele o amor pela arte, o amor pela natureza, o amor pela vida, o amor pelo amigo, o amor carnal, o amor de pai, o amor de mãe, o amor de filho, que ainda será pai, o amor...

Quantas almas estariam salvas se houvesse um pouco mais de amor. Mentes brilhantes desperdiçadas, infâncias destruídas, exímios seres humanos desgarrados do rebanho, simplesmente porquê lhe faltaram amor.

Um simples bom dia que deixamos de agraciar. Um olhar mal intencionado, um julgamento precipitado. Quantas vezes teremos que colocar nossos sentimentos à prova?

Às vezes, não somos justos com nós mesmos, por medo de sermos subjugados. Por covardia de enfrentar os preconceitos estabelecidos por um senso comum medíocre e mesquinho.

Vou empreender-me à desafiar aqueles que desdenham da vida o tempo todo. Vou questioná-los, incentivá-los, aconselhá-los, e mesmo quando tudo parecer perdido, estarei ali, para sorrir e, mais uma vez, acreditar.

Só de pirraça, mais feliz ainda vou ficar.

A leviandade dos maus corações não pode afogar a esperança dos que ainda sonham.

Uma lição de vida aos quase vinte e dois...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Minhas coisinhas...

De Luís André Gasperino


Não havia reparado como é lindo o amanhecer da janela do meu quarto. Por muito tempo, questionei a beleza do tagarelar dos pássaros, que tripudiavam de meu sono, com a luzes do grande astro luminoso à irradiar.

Está tudo do jeitinho que eu sempre deixei. A roupa desarrumada, a cama desfeita, o computador ligado, as luzes sempre acesas.

“Filho, vai arrumar seu quarto(...) Não deixa a janela aberta (...) Apaga a luz quando sair (...) Leva a blusa, porquê vai esfriar”.Nunca pensei que fosse gostar tanto de ouvir essas expressões, infindáveis vezes repetidas.

Tudo tem um brilho caloroso, e as horas parecem andar rastejando, cansadas, tão fracas quanto meus punhos.

A sensação é de um ser misteriosamente magnânimo nascendo em cada nova oração. Estou mais leve, mais astuto, menos criterioso. E a carapuça de mal vai se desprendendo, lenta e amargurada, de minha feição.

A angústia avassaladora da dúvida, apesar de tudo, é tão consolável quanto a ingratidão da certeza.

“Quando tudo está perdido, sempre existe um caminho. Quando está perdido sempre existe uma luz. Quando tudo está perdido eu me sinto tão sozinho. Quando tudo está perdido, não quero mais ser quem eu sou... Hoje a tristeza não é passageira, hoje fiquei com febre a tarde inteira. E, quando chegar a noite, cada estrela parecerá uma lágrima. Queria ser como os outros e rir das desgraças da vida ou fingir estar sempre bem, ver a leveza das coisas com humor. Mas, não me diga isso, é só hoje, e isso passa, só me deixe aqui quieto, isso basta. Amanhã é um outro dia....Eu nem sei por quê me sinto assim, vem de repente um anjo triste perto de mim. E essa febre que não passa e o meu sorriso sem graça. Não me dê atenção, mas obrigado por pensar em mim...”

sexta-feira, 5 de março de 2010

Dicas dela !

A cada dia me surpreendo com algumas pessoas. Às vezes positivamente, às vezes negativamente. Porém, há pessoas que nos guarda as mais belas e sinceras surpresas. O poema que segue abaixo é mais uma entre tantas outras ótimas sensações que uma dessas inestimáveis pessoas me proporciona a cada novo despertar. Obrigado Patrícia!

Reverência ao Destino - Carlos Drummond de Andrade

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por atitudes e gestos o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso. E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer. Ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demostrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer ” oi ” ou ” como vai ? ”
Difícil é dizer “adeus”. Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas…

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo, como uma corrente elétrica, quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que se deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que somente uma vai te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A angústia do garotinho


De Luís André Gasperino

Vejam o estado deste garotinho, coitado. Ele precisa de apoio urgentemente – quem sabe, até de terapia. Está confuso, perdido num turbilhão de sentimentos contraditórios. E está metendo os pés pelas mãos vida afora. Pune os que o cercam – e os que o amam – e claramente está se punindo por isso.

Quem vai chorar pelo garotinho, quando a noite, sozinho, perdido, pensa em desistir? Ele precisa de coragem, o fardo que carregas não és tão pesado assim. Grita, xinga, bebe até cair. Está cansado, exausto e trancado em si mesmo a espera de ajuda.

Ele corre, mas não alcança. Ele sorri, mas não é feliz. Ele brinca, mas não se diverte. Ele chora, mas não se acalma. Quem vai abraçar o garotinho, quando ele se levantar e se salvar do abismo em que se afundou?

E, lá, sozinho em seu quarto, tarde da noite, infeliz, ele cai num pranto sentido e comovente. É um grito silencioso por socorro. Mas ninguém o ouve.

Quem vai salvar o garotinho, enquanto ele salva você?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Pós

De Luís André Gasperino

O coração descompassado,
A insônia ao nascer do dia
Arrependido, a boca seca
A saliva azeda,
O gosto amargo do trago do fel,
Da noite provei.

As injúrias fizeram-se presentes
Não tão incômodas
Quanto o encarar nos olhos dos amigos
Preocupados e descontentes
Fiéis, desolados
Pela sombra que os perseguem

Culpa, medo, desgosto
Um engodo breve
Apenas um instante de lucidez
Que me traga alegria
Que afaste a nostalgia
Ao nascer do dia

Das prosas fustigadas,
Foi-se a verdade.
Juras, mentiras, promessas em vão
Restam apenas dúvidas,
Sentimentos recolhidos
E uma falta de coragem

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Partilha

Luís André Gasperino

Você pode ficar com a poltrona, se quiser. Mande forrar de novo, ajeite as molas. É claro que sentirei falta. Não dela, mas das tardes em que aqui fiquei sentado, olhando as árvores. Estas sim, eu levaria de bom grado: as árvores, a vista do morro, até a algazarra das crianças lá embaixo, na praça. 0 resto dos móveis são tão poucos! Podemos dividir de acordo com nossas futuras necessidades.

O rádio está tão velho que o melhor é deixá-lo ai mesmo, entregue aos cuidados ou ao desespero do futuro inquilino. Tanto você quanto eu haveremos de ter, mais cedo ou mais tarde, as nossos respectivos rádios, mais modernos, dotados de todos os requisitos técnicos e mais aquilo que faltou ao nosso amor: paixão.

Quanto aos discos, obedecerão às nossas preferências. Você fica com as faixas mais românticas, as canções de fim de tarde, um ou outro clássico. Deixe para mim o canto pungente do astuto Chico Buarque, os sambas antigos e estes chorinhos. Aqueles que compartilhavam do nosso gosto comum serão quebrados e jogados no lixo. É justo e honesto.

Os livros são todos seus, salvo um ou outro com dedicatória. Não, não estou querendo ser magnânimo. Pelo contrario: Ainda desta vez penso em mim. Será um prazer voltar a juntá-los, um por um, em tardes de folga, visitando livrarias. Aos poucos irei refazendo toda esta biblioteca, então com um caráter mais pessoal. Fique com os livros todos, portanto. E consequentemente com a estante também.

Os quadros também são seus, e mais esses vasinhos de plantas. Levarei comigo o cinzeirinho verde. Ele já era meu muito antes de nos conhecermos. Também esta espátula. Veja só o que está escrito nela: a data onde tudo começou. Fique com toda essa quinquilharia acidentalmente juntada. Sempre detestei bibelôs e, mais do que eles, a chamada arte popular, principalmente quando ela se resume nesses bonequinhos de barro. Nada que foi feito com barro presta. Nem o homem.

Rasgaremos todas as fotografias, todas as cartas, todas as lembranças passíveis de serem destruídas. Programas de teatros, álbuns de viagens, tudo. Que não reste nada daquilo que nos é absolutamente pessoal e que não possa ser entre nós dividido.

Fique com a poltrona, seus discos, todos os livros, os quadros, esta jarra. Eu ficarei com estes objetos, um ou outro móvel. Tudo está razoavelmente dividido. Leve a sua tristeza, eu guardarei a minha.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Maria, Maria...

De Luís André Gasperino

Com todo respeito às pessoas portadoras do nome “Maria”, mas as “Marias qualquer coisa” estão dominando as ruas da cidade. Primeiramente, não estou generalizando, que fique bem claro. Mas, é fato notório que, em todos os segmentos há mulheres interessadas somente no “estereótipo do personagem”.

Ou seja, popularmente dizendo, são as Marias gasolina, Marias chuteira, Marias microfone e por aí vai...

Toda graça e louvor às mulheres, que ao longo da história lutaram por direitos iguais aos dos homens, com toda razão. Hoje, muito próximas da igualdade em diversos setores da sociedade, provam que são tão quão competentes quanto o sexo oposto. Porém, é deprimente ver um ser tão grandioso e lindo, se prestar a determinadas situações.

Qual será o motivo de grande parte do sexo feminino se importar apenas de forma interesseira com o ‘status’ de seu pretendente ou companheiro?

Sem mais delongas, até a próxima...