terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A angústia do garotinho


De Luís André Gasperino

Vejam o estado deste garotinho, coitado. Ele precisa de apoio urgentemente – quem sabe, até de terapia. Está confuso, perdido num turbilhão de sentimentos contraditórios. E está metendo os pés pelas mãos vida afora. Pune os que o cercam – e os que o amam – e claramente está se punindo por isso.

Quem vai chorar pelo garotinho, quando a noite, sozinho, perdido, pensa em desistir? Ele precisa de coragem, o fardo que carregas não és tão pesado assim. Grita, xinga, bebe até cair. Está cansado, exausto e trancado em si mesmo a espera de ajuda.

Ele corre, mas não alcança. Ele sorri, mas não é feliz. Ele brinca, mas não se diverte. Ele chora, mas não se acalma. Quem vai abraçar o garotinho, quando ele se levantar e se salvar do abismo em que se afundou?

E, lá, sozinho em seu quarto, tarde da noite, infeliz, ele cai num pranto sentido e comovente. É um grito silencioso por socorro. Mas ninguém o ouve.

Quem vai salvar o garotinho, enquanto ele salva você?